Bem Vindos!

Aqui estão algumas divagações, apelos e reflexões de alguém que tem coisas demais para refletir no seu dia-a-dia.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Descarga no pânico

 Depois de quase 10 anos sem escrever, eis-me aqui.

A pandemia mudou muitas coisas e trouxe outras de volta. Mas em primeiro lugar, mudei ate o título, pois agora estou formada, kkkk.

Mas o que me fez escrever? Simples.

Dear White People, season 4, episode 5

    Por alguma razão, a cena do Reggie dançando e cantando "Virtual Insanity" espatifou meu coração. Já fazia tempo eu andava triste - esse mês é carregado de luto: luto pelo papai, pelo que poderia ter sido nossa relação, luto pelo filho que não chegou a ser. E aquela cena carregada de raiva sendo expulsa via catarse, do tiro como liberação, da canção e sua ligação com o personagem...a tristeza veio, tão forte que me rendeu dois ataques de pânico - inclusive, nem sei quando terminarei a temporada.

A canção é dos anos 90. Quase 30 anos - lembrete da minha idade - e está extremamente atual. A internet se expandiu tanto, o acesso à informação aumentou exponencialmente. Ainda há muitas pessoas sem acesso a tudo isso, mas comparado à virada dos anos 99/00? Sem comparação. 

E sei lá... há tanta coisa boa que a internet e as redes nos trouxeram, mas tanta coisa ruim....parece que a cada boa ideia de uso, a cada inovação, surgem outras dez maneiras de foder tudo. Black Mirror tá cada vez mais próximo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Preconceito e suas crias

      Nem sei direito por onde começo, de tão indigesto e incômodo que esse assunto é. Acho que uma boa parcela da população passou, passa ou passará por esse tipo de coisa, seja de que forma for. Já sofri preconceito por ser mulher e "por ser de cor" (eu me considero negra, mas se o IBGE diz que sou parda...), por ser gordinha, por ser baixinha, por ser a aluna cdf da escola, por ser pobre...mas são coisas que eu aprendi a driblar com o tempo, apesar de doer sim, e por saber que infelizmente não seria a última vez pela qual eu passaria por isso. Porém, um tipo novo de preconceito vinha me incomodando e acabou por me atingir mais fortemente do que eu esperava.
     Para pôr as coisas em ordem, preciso voltar um pouco no tempo e citar fatos pessoais. Desde o início do ano passado, comecei um relacionamento com um rapaz 8 anos mais velho que eu. Uma das principais encrencas que tivemos foi justamente essa diferença de idade: enquanto tenho 20 anos, ele tem 28. Para nós dois, isso não era empecilho algum, e nem para minha mãe por motivo semelhante: ela é 6 anos mais nova que meu pai. Mas para o meu velho e algumas pessoas da minha família não foi bem assim, afinal das contas, a menina de ouro deles estava namorando com um "homem" muito mais velho e que além disso era obeso (muito magra que eu sou, não é mesmo?). Foi uma bela confusão, e demorou um tempo para que aceitassem ele de braços abertos.Da minha família eu esperava uma certa comoção, mas não a ponto de eu brigar feio com uma tia e minha avó materna por causa disso. Curiosamente, essa tia está hoje namorando uma cara 14 anos mais velho que ela. Como diria minha mãe, "nunca digas que desta água....". Mas com a família, agora as coisas estão em ordem. 
   Outra coisa que eu queria ressaltar é a diferença entre o preconceito e os micropreconceitos.  O preconceito é a atitude desmascarada e claramente seletiva. É aquele tipo de atitude na qual se vê indiscutível e e inegavelmente a discriminação ali existente. Já o microprenceito são aquelas atitudes veladas, onde não fica bem clara a discriminação. Frases não-ditas, olhares de esguelha ou diretos, atitudes frias são só alguns exemplos disso. Mas o que distingue realmente uma de outra é a reação que cada uma desencadeia. Enquanto alguém que sofre preconceito se sente humilhado, também vem com a humilhação a raiva e a gana de querer a revanche, e mostrar que você pode sim seguir adiante apesar desses pedregulhos no caminho. Já com o micropreconceito a coisa muda. Ali, a discriminação é velada, e muitas vezes por mais que se sinta que houve sim discriminação, não há como se provar que houve isso de fato. E a sensação que vem é a de impotência. E quanto mais você passa por isso, mais essas coisas vão te minando as forças, até que você acaba cansando e desistindo. Recentemente, foi feita uma pesquisa nos EUA com o objetivo de apurar o motivo de haver tão poucas mulheres formadas nos ramos de engenharia e arquitetura. Os pesquisadores acreditavam que a principal causa da desistência feminina nesses cursos se devia à dificuldade de conciliar o trabalho com marido e filhos; mas para surpresa geral, esse não foi o motivo principal, e sim os micropreconceitos que essas mulheres sofriam em seu meio, fosse por professores ou colegas de curso. Muitas se sentiam desvalorizadas e diminuídas em suas áreas, e por isso optaram por trocar o curso ou mesmo desistir da faculdade. E foi desse tipo que me senti vítima.
        Desde o início do meu namoro, me acostumei aos olhares de surpresa das pessoas. Afinal, apesar de ter 20 anos, meu rosto e minha estatura desmentem isso. Já me disseram que eu tinha 16, veja só. No meu primeiro dia de aula na faculdade, perguntaram se eu não deveria ir pro colégio de aplicação, pois aparentemente tinha descido na parada errada do campus. Esse episódio sempre foi motivo de riso para mim e para meus amigos e familiares. Mas nunca pensei que o fato de parecer mais nova me rendesse uma atitude preconceituosa. Além do fato de eu parecer mais nova, a grande maioria das minhas roupas se encaixa tanto para jovens quanto para adolescentes, o que piora minha situação. Como se não bastasse, a postura e a maneira de se vestir do meu amado fazem-no parecer mais velho do que ele realmente é (e some uma vasta barba a isso). Então para nós, os olhares de surpresa se tornaram um lugar-comum, algo que não costumamos nem reparar. Porém, quinta feira passada, fomos ao shopping Iguatemi assistir o filme "Detona Ralph", que aliás recomendo para todo mundo. Admito que esse não é meu shopping favorito pelo fato de ser muito elitista e ser voltado principalmente para o high society de Porto Alegre, o que o torna o típico lugar onde se ouvem comentários depreciativos sobre tudo e todos. Só escolhemos esse shopping pela proximidade da casa dele e pelo horário da sessão legendada, que terminaria um tanto tarde. 
         Pois bem, chegamos razoavelmente cedo e fomos dar uma volta antes e ver o filme, e conforme caminhávamos, percebi os olhares que nos eram dirigidos. Havia aqueles que eram de surpresa, mas também havia olhares diferentes, que eram abertamente belicosos. Aquele tipo de olhar que faz você se encolher como se tivesse tomado um tapa ou um murro. A impressão que eu tive era a de que eu, nós dois, não tínhamos o direito de estar ali, muito menos de estar juntos. Uma coisa é um olhar especulativo ou surpreso, outra um olhar carregado de veneno. E eu me senti cada vez pior. Miseravelmente eu falhei na missão de não deixá-lo perceber o que eu sentia, mas não quis explicar de que se tratava. Mas eu me senti agredida, ferida. Por mais que eu quase sempre consiga sê-lo, eu não sou forte o tempo inteiro. Há falhas na minha armadura, e eu fui pega desprevenida. Só não chorei de raiva por que havia sido meu último dia de provas na UFRGS, e a minha primeira saída nas férias. O fato de o filme ser de comédia e animação ajudou a levantar meu astral, mas ainda sim me senti mal. E a maneira que encontrei de extravasar isso foi escrevendo. 
        Eu não pretendia que o post fosse tão grande, mas certas coisas devem ser postas para fora. Não vou deixar de amar o Daniel por preconceito alheio, e também não vou deixá-lo por isso. Apenas acho um absurdo enfrentar esse tipo de coisa em pleno século XXI, e eu gostaria e muito de poder sair com ele sem enfrentar esse tipo de coisa. Fica aqui meu protesto.

Música: Muse - Hysteria

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Body Count

    Depois de mais  de 10 meses sem escrever, resolvi dar as caras. Aconteceu tanta coisa esse ano, que fica até difícil de listar. E como essa é uma época em que todos nós pesamos o que fizemos e deixamos de fazer no ano, resolvi fazer o meu inventário. Até achei minha lista de objetivos! Para simplificar, e cumprir como objetivo do post, vou pôr tudo em tópicos.

Vida pessoal e social

    * Consegui definir mais objetivos para a minha vida;

    * Saí do isolamento autoimposto;

    * Conheci mais pessoas legais ao meu convívio;

    * Resolvi duas situações mal resolvidas (faltou uma);

    * Encontrei um namorado (sim, esse era um item da lista);

    * Viajei. Yeah!!!
    
    *Emagreci 14kg;

    * Consegui fazer razoavelmente bem tudo a que me propus;

 Faculdade

* Ok, peguei recuperação nos dois semestres, ninguém é de ferro, poxa!!!

* Mais algumas metas e objetivos definidos.

Consumismo

* Ativei meu cartão de crédito (ai a dor da fatura!)

* Comprei meu notebook (com dinheiro MEU e do MEU trabalho, veja bem =D)

*Livros Adquiridos:
                      Série "As Crônicas do Gelo e Fogo" com todos os 5 volumes publicados
                      Série "Artemis Fowl" ampliada de três para seis livros 
                      Série "Diários do Vampiro" completa
                      Série "O Legado de Maria Madalena" ampliada para dois livros.
                      Série "Heróis do Olimpo" ampliada para dois volumes
                      Série "Ciclo da Herança" completa
                      Série "Crepúsculo" completa (me faltava o guia oficial ilustrado da série)
                      Coleção dos mangás de "Sakura Card Captor" ampliada para 21 volumes. 
                      Série "Deltora Quest 2" completíssima.
                      Série "Infernais"  com um livro (Formaturas Infernais). 
                      Série "A Mediadora" completa .
                      Série "Bridget Jones" com o primeiro volume.
E era isso no setor livros.

* Troquei de celular. Finalmente!

Fiquei devendo

*Bike nova =(

* Manter o peso: dos 14kg que perdi, recuperei todos e ainda vieram mais três me dizer "Oi!!!"

*Continuo muito preguiçosa, relapsa e gastadeira;

*Descuidei legal da minha saúde

*Continuo sendo muito estúpida com as pessoas sem motivo aparente para isso. 

*Conseguir conciliar com sucesso trabalho e faculdade. Tou quase desistindo de fazer os dois ao mesmo tempo. Tá crítico!

*De novo: peguei recuperação nos dois semestres. Merda.


Acho que tem mais coisa positiva do que negativa esse ano. Mas cabe ressaltar que tive cada crise de choro e ataque nervoso...não sei como meus pais, irmãos, amigos e namorado me aguentaram. Nem eu me aguentei, me senti uma manteiga derretida metade do ano!!! Pra não falar das brigas bobas que arranjei com pessoas que gostavam de mim, e das vezes que tive que me segurar pra não torcer o pescoço de alguém. Principalmente se esse alguém é um de seus professores. Mas enfim, acho que mesmo contando as brigas, dá pra dizer que foi um ano bom, mas difícil. E ainda pra ajudar teve a greve das federais, e como peguei recuperação, vou até janeiro. Sinceramente, me cansei, mas que valeu a pena valeu. E como!!! 

Era isso. E Feliz Ano-Novo, rapeize!!!

 Música do dia: Blind Melon - No Rain

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Culpa

             Sabe aquelas vezes em que você age sem pensar, achando que tem toda a razão desse mundo ao agir assim, e acaba magoando alguém? Pois é, eu fiz dessas, e só depois de 10 meses me dei conta disso. Tratei mal alguém que não merecia. Fui imatura, não quis conversar, me irritei e agi assim. Se ele não quiser olhar na minha cara depois de tudo, eu entenderei. Mas aí eu me pergunto: peço desculpas ou não faço nada? Isso fará algum bem? Ou dará margem para que tudo se repita? Estou perdida, e com um surto de culpa severo. Eu fiquei Irritada por atitudes que ele tomou e com as quais  eu não concordava, fiquei com raiva mesmo, mas isso não me dava o direito de ser cruel e leviana. Me sinto muito mal, pois se não fosse pelo que eu  fiz, talvez ainda tivéssemos ao menos um laço de amizade. E  agora, não sei o que fazer.
            Há (só para variar) uma música que traduz bem isso: Slipknot – Snuff. Aí vai parte da letra, bem como sua tradução:

My heart is just too dark to care            
I can't destroy what isn't there                  
Deliver me into my Fate                            
If I'm alone I cannot hate                        
I don't deserve to have you...                
Uh, my smile was taken long ago              
If I can change I hope I never know         
        Meu coração está sombrio demais para se importar
        Eu não posso destruir o que não está lá
        Me entregue ao meu Destino
       Se estou sozinho, não tenho o que odiar
        Eu não mereço ter você...
        Meu sorriso foi tomado há muito tempo
        Se eu posso mudar espero nunca saber
 
               O aperto que eu tenho no coração me oprime já há um tempo. E mesmo que não seja correto, eu penso em tudo o que poderia ter sido, se eu não tivesse interrompido tudo. Mas ficar revirando as possibilidades perdidas não me levará a lugar algum. Não sei mesmo o que fazer. Pedir desculpas fará bem apenas a mim, ou a ele também? Devo deixar as coisas como estão, e não revirar algo que já foi bem revirado? Ah, céus…  
              Lidar com isso (a culpa) sempre foi um problema para mim. Infelizmente, sou muito orgulhosa. Detesto admitir que estou errada. E em geral, quando me dou conta das asneiras que eu faço, já é tarde para consertá-las. E agora, não sei se é o orgulho que me impede de pedir desculpas, ou se há outro motivo para tal. Por que a vida tem que ser tão complicada? Por que as pessoas não podem simplesmente entrar em um acordo tácito de evitar essas situações complicadas e de desdobramento múltiplo? Isso é absurdamente irritante.
            Agora, preciso de ajuda. Alguém se habilita a me dar uma mão? Peço perdão? Sim ou Não? Help me, my friends!!!!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Something Anything

Nessas férias, digamos que a minha inspiração à escrita está de férias também. Brincadeirinhas à parte, me vi pensando e cantarolando uma música da banda Travis, Something Anything. Abaixo a letra e o vídeo:

 

Something Anything

Like a melody
that is impossible
to play away
In my memory
there's a part of you
that's gone away
To keep my mind
from wondering
I'm wondering
to keep myself
on falling
I'm following

Something anything
just to keep on living
Just to keep on
breathing
for a moment longer
Something anything
just to keep on living
Just to keep on breathing
for a moment longer

I'd tell you anything
if I had anything
To say ehh
I keep a battle
in 'cause there's a time
and there's a place for this
I keep my story where it is
an act this it
don't even all wanna this
when all I need is

Something anything
just to keep on living
Just to keep on
breathing
for a moment longer
Something anything
just to keep on living
Just to keep on
breathing
for a moment longer.

 

Alguma Coisa, Qualquer Coisa

Como uma melodia
que é impossível
de se livrar.
Na minha memória
há um pedaço de vo
que se foi.
Para evitar minha mente
de pensar
Eu estou pensando
Para evitar que eu
caia
Eu estou seguindo.

Alguma coisa, qualquer coisa
apenas para continuar vivendo
Apenas para continuar
respirando
um pouco mais.
Alguma coisa, qualquer coisa
apenas para continuar vivendo
Apenas para continuar respirando
um pouco mais.

Eu lhe diria qualquer coisa
Se eu tivesse qualquer coisa
Para dizer 'é...'
Eu mantenho uma batalha
porque há uma hora
e um lugar para isso
Eu mantenho minha história onde ela está
um ato, isso é
Nem mesmo todos querem isso
quando tudo que necessito é

Alguma coisa, qualquer coisa
apenas para continuar vivendo
Apenas para continuar
respirando
um pouco mais.
Alguma coisa, qualquer coisa
apenas para continuar vivendo
Apenas para continuar
respirando
um pouco mais.
      Depois de pensar muito na tradução dessa música e no sigificado que ela carrega consigo, cheguei à conclusão de que, por anos, segui uma idéia fixa: chegar à UFRGS e dar orgulho à minha família. Mas nos últimos tempos, essa idéia se foi, pela simples razão de que o objetivo foi cumprido. Eu precisava de um novo objetivo pra me dar sentido. Pensei mais um pouco, e cheguei a outra conclusão: minha nova idéia fixa não é ímpar, é par, isto é, não é "a" idéia mas "as" idéias: sair da faculdade, trabalhar e fazer mestrado, doutorado e que mais for necessário para me tornar professora titular na UFRGS. Legalzinho, não? Uma música, e eu defino meus objetivos de vida.
       Mas falando sério, fiquei escutando uma tarde inteira o Cd que contém essa faixa, é Ode To John Smith, de 2008. Tem cada musiquinha, que te faz pensar na vida, no trabalho, em tudo...cada vez mais, me pego pensando na solidão a que me impus; por mais que eu tenha amigos, por mais que os ame, por mais que a recíproca seja verdadeira...lá no fundo, sempre me senti sozinha. E é um tipo de solidão que me assusta. Não sei porquê. Mas me assusta. E para driblar isso, rio, brinco, faço piada...tem gente que diz que por detrás de cada humorista ou comediante, há uma grande mágoa, ou um sentimento de perda, solidão, mágoa, culpa, qualquer coisa que deve ser escondida com sorrisos, brincadeiras, risos e sarcasmo, além da ironia. Esse é meu caso, não sei porquê. Mas há algo lá no fundo, que me diz que meu pior medo é ficar sozinha. Na verdade, a simples idéia de me ver em um apartamento infestado de gatos, sem risos de crianças ou de adultos é apavorante, e isso me dá calafrios. É condição necessária e suficiente pra que eu acorde no meio da noite, se estiver sonhando com isso. Vai entender. É um medo maior até do que da acrofobia. Se eu não disse antes, digo agora: sou acrófoba. Tenho pavor de alturas muito grandes. 2 metros e pronto, piro, surto.
     Buenas, acabei meio que me dispersando. Na verdade, meu pensamento tá disperso afú nessas férias. São as teias de aranha, tomando conta das engrenagens...terei de dar um jeito de espantá-las. Até lá, Feliz ano Novo a todos, e que tenhamos um ano muito melhor do que 2011 foi para todos nós. Boas festas, pessoal, e até 2012, se Deus quiser.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os laços de amizade, o tempo e a confiança

Não faz muito tempo, uma pessoa de quem gostei muito me magoou de maneira consciente e deliberada. Doeu. Pra valer. Uma coisa é quando alguém te magoa sem saber e/ou se dar conta. Outra totalmente diferente é quando ela faz isso por gosto, e foi esse o meu caso. Fiquei duas semanas fingindo que essa pessoa não existia. Após esse tempo, ontem essa pessoa veio me pedir desculpas. O que eu não disse é que já a havia perdoado, mas que ainda sim, eu precisava ver que essa pessoa se arrependia de verdade do que tinha feito e reconhecia que estava errada. Eu realmente precisava ouvir aquele pedido de desculpas. Ainda não sei se continuarei amiga dele, mas essa mágoa eu já não carrego comigo, apesar de a ofensa ter sido grave.
    Isso me fez refletir: é mesmo necessário saber que a pessoa se arrependeu para poder perdoá-la? Eu já havia me livrado da mágoa, mas quando ele veio me pedir desculpas, foi como se um peso invisível de uma tonelada deixasse minhas costas e meu coração. Mas ainda sim, a confiança, essa ficou bem avariada.
   Nesses últimos tempos, o que mais tenho visto são máscaras caindo, confiança sendo quebrada e amizades que se revelam coleguismo apenas. Dói descobrir que uma amizade não é tão amizade assim? Claro que dói. Descobrir o que aqueles em quem você confia pensam e  falam de ruim sobre você é doloroso. Mas acho que as únicas compensações nessas horas difíceis são saber em quem se pode realmente confiar e ver que, apesar de tudo, ainda há pessoas que gostam de você, e que te defendem com unhas e dentes.
    O que também me surpreende é que laços mais recentes podem muitas vezes ser mais profundos que laços mais antigos. Recentemente, reencontrei na UFRGS um conhecido meu dos tempos de escola, e acabamos nos tornando não somente amigos, como hoje brincamos que somos irmão e irmã. Através dele, conheci muita gente legal, que me acrescentou em termos de amizade e coleguismo, enquanto que com algumas pessoas que conheço desde que entrei na universidade não tenho esse laço tão forte. Isso é realmente algo que me surpreende e entristece, por que mostra que, às vezes, por mais que você conheça uma pessoa já há um bom tempo, nada garante que ela seja realmente mais do que um colega, enquanto que há pessoas que você pode conhecer há bem pouco tempo, mas que acabam se revelando amigos bons e fiéis, daqueles a quem você confiaria a vida.
    Voltando à confiança e ao perdão, só o tempo dirá se essa pessoa é digna de se chamar de amigo. Dizem que não se pode espear muito das pessoas, e que se deve compreender quando elas erram para com você. Eu sou boazinha até demais, e por isso, vou dar a "colher de chá", por assim dizer. Mas sou grata a todos os que me ajudaram, e que realmente, sei que posso chamar de amigos. Esses, vou levar pra vida inteira, e para as outras vidas depois dessa.
    Tire o peso da sua alma. Não segure a mágoa, espere que a pessoa lhe peça perdão. E vá atrás do perdão de alguém, se fore esse o seu caso. O que é pior: dar o braço a torcer, admitindo que está errado, ou perder uma amizade por besteira?
   Pense nisso. Bom resto de semana.

Música do dia: Strawberry Swing - Coldplay

terça-feira, 15 de novembro de 2011

As músicas e a vida

   Na adolescência, minha mãe costumava estudar ouvindo rádio. Era um gosto que ela acabou passando para mim. Se tem algo que eu gosto, é fazer AQUELA playlist para uma looonga tarde de estudos. Na verdade, aprendi a associar o que estou estudando ao que estou ouvindo. Por exemplo, para estudar cálculo, que é algo bem pesado, nada melhor do que Metallica, Black Sabbath, Megadeth, Slipknot...para Álgebra, que é uma matéria "querida" (pelo menos para  mim), nada melhor que ouvir o CD "The Suburbs", do Aracade Fire, de cabo a rabo. Ou ainda, o bom e velho Coldplay. Para o vestibular, estudei ouvindo a discografia completa do Nenhum de Nós, e toda vez que me dava uma branco, era só lembrar das músicas que eu estava escutando enquanto estudava. Como resultado, bom...hoje eu tou na UFRGS, né? =D Tanto sou grata ao Nenhum de Nós, que quando tive a oportunidade, agradeci ao Thedy Corrêa pessoalmente. Abaixo, a foto do encontro:


          Mas não era bem sobre isso que eu queria escrever hoje. Hoje, eu queria escrever sobre como certas músicas são capazes de te fazer querer voar, rir, chorar, cantar e dançar, tudo ao mesmo tempo. No momento, uma dessas musicas, para mim, é Ready to Start, do Arcade Fire, que já aos acordes iniciais me faz pular de alegria. Escuta aí:  


e aí vai a letra:

 

Ready To Start

Businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
And I guess I'll just begin again
You say can we still be friends

If I was scared, I would
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not

All the kids have always known
That the emperor wears no clothes
But to bow to down to them anyway
Is better than to be alone

If I was scared, I would
And if I was bored, you know I would
And if I was yours, but I'm not

Now you're knocking at my door
Saying please come out with us tonight
But I would rather be alone
Than pretend I feel alright

If the businessmen drink my blood
Like the kids in art school said they would
Then I guess I'll just begin again
You say can we still be friends

If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not

Now I'm ready to start

If I was scared, I would
And if I was pure, you know I would
And if I was yours, but I'm not

Now I'm ready to start

Now I'm ready to start
I would rather be wrong
Than live in the shadows of your song
My mind is open wide
And now I'm ready to start

Now I'm ready to start
My mind is open wide
Now I'm ready to start
Not sure you'll open the door
To step out into the dark
Now I'm ready!


Pronto Para Começar

Empresários bebem o meu sangue
Como as crianças na escola de arte disseram que eles fariam
E acho que vou apenas começar de novo
Você diz que ainda podemos ser amigos

Se eu estivesse com medo, eu faria
E se estivesse entediado, você sabe que eu faria
E se eu fosse seu, mas eu não sou

Toda criança sempre soube
Que o imperador não veste roupas
Mas fazer uma reverência mesmo assim
É melhor do que estar sozinho

Se eu estivesse com medo, eu faria
E se estivesse entediado, você sabe que eu faria
E se eu fosse seu, mas eu não sou

Agora você está batendo na minha porta
Dizendo por favor, saia com a gente esta noite
Mas eu prefiro ficar sozinho
Do que fingir que me sinto bem

Se empresários bebessem meu sangue
Como as crianças na escola de arte disseram que eles fariam
Então eu acho que vou apenas começar de novo
Você diz que ainda podemos ser amigos

Se eu estivesse com medo, eu faria
E se eu fosse puro, você sabe que eu faria
E se eu fosse seu, mas eu não sou

Agora eu estou pronto para começar

Se eu estivesse com medo, eu iria
E se eu fosse puro, você sabe, eu faria
E se eu fosse seu, mas eu não sou

Agora eu estou pronto para começar

Agora eu estou pronto para começar
Eu preferia estar errado
Do que viver nas sombras da sua música
Minha mente está aberta
E agora eu estou pronto para começar

Agora eu estou pronto para começar
Minha mente está completamente aberta
Agora eu estou pronto para começar
Não tenho certeza se voce abrirá a porta
Para sair para a escuridão
Agora eu estou pronto!

          Nos últimos tempos, quando estou triste (e acredite em mim, isso foi bem comum nos últimos meses), eu ponho essa música no alto-falante do meu celular, e Bum! na hora meu humor melhora. Ela me faz lembrar que, apesar das adversidades, sempre podemos fazer um novo começo, que nunca é atrde pra fazer o que é certo, e que coisas boas virão no seu devido tempo. Quando meus amigos me chamam pra sair, muitas vezes eu vou pra não ficar com fama de "furona", mas nos últimos tempos, tenho preferido agir assim:

Agora você está batendo na minha porta
Dizendo por favor, saia com a gente esta noite
Mas eu prefiro ficar sozinho
Do que fingir que me sinto bem

          Pra quê se prender à artificialidade? Cada vez mais, tenho preferido ficar em casa a sair e fingir caras e bocas, e fingir que tá tudo bem quando não está. E ela também me traz um lembrete:

Minha mente está completamente aberta
Agora eu estou pronto para começar

          Para começar (ou recomeçar) algo, é essencial que a mente esteja aberta para novas possibilidades e novas realidades. Afinal, de que adianta começar tudo outra vez, se você repetir os mesmos erros de antes, por estar com a mente fechada? Isso significa que você não aprendeu nada, e enquanto a sua mente estiver fechada, você não conseguirá um novo começo, vai ficar patinando nos mesmos erros.

          Logo que puder, tenho de agradecer ao Arcade Fire. É incrível como uma música pode nos trazer as respostas para as agruras do dia-a-dia, e nos brindar com uma reflexão aguçada das nossas últimas ações.
          Da próxima vez que você fizer uma playlist, pare e pense: "Em que momento estou agora?" e só DEPOIS de responder essa pergunta, FAÇA a playlist. Afinal, quem vai querer ouvir All Nightmare Long, do Metallica, quando estiver depressivo? É pra cortar os pulsos de vez. Está mal? Escute algo que faça melhorar o seu humor, e não algo que dá vontade de cortar os pulsos. Isso vale também para dor de amor. Se você tomou AQUELE  fora, não é ouvindo Total Eclipse of Heart, da Bonnie Tyler, ou Rolling in The Deep, da Adele, que você vai melhorar. Vai por mim, é experiência própria.

          É isso. Pare e pense, dá próxima vez que for fazer sua playlist, e preste atenção no que você está ouvindo agora. Isso pode dizer muito sobre as ações que você vem tomando e sobre como você tem agido nos últimos tempos, além de explicar muitas coisas que têm acontecido com você.
          
           Abraços!!!!

domingo, 13 de novembro de 2011

Não Julgarás

Quando me perguntam minha religião, respondo sem titubear: espírita. É a filosofia e corrente de pensamento que mais me agrada, dentre todas as que conheço. Porém, sou o tipo de pessoa que se sente bem onde houver fé sincera e sem propósito que não outro a caridade, o amor ao próximo e o louvor a Deus, seja lá se for um templo budista, um centro espírita, um terreiro de umbanda ou uma missa católica. Não costumo bater o pé e teimar que a minha religião é a certa e ponto final, até porque uma das coisas que me ensinaram é que onde houver fé, amor, caridade e respeito para com a crença do outro, Deus estará lá também. É por isso que não entendo quando vejo alguém batendo o pé em relação à sua religião em detrimento da religião do próximo. Sabe, há um diatdo wicca que diz o seguinte: "Quando você levantar a  mão para apontar o seu irmão, lembre-se que há dois dedos apontados para ele e três apontados para você." É por esquecer desse pequeno fato que há tanta miséria, tanta desgraça e tantas pragas no mundo. É simplesmente o esquecimento ou o declarado detrimento daquele que é um dos mandamentos do Pai: "Não Julgarás.". Vejamos como exemplo, no Egito, o ataque aos coptas, que são os cristãos árabes, que para os muçulmanos, são infiéis. Ou ainda, o arranca-rabo milenar entre Israel e os Palestinos. Antes, eram os árabes (muçulmanos ou não) que não aceitavam o Estado de Israel. Hoje, é Israel quem não reconhece o direito dos Palestinos a ter seu próprio Estado. Afora, é claro, os cristão que são mortos na China e o outro arranca-rabo entre muçulmanos e hindus na Índia. Quando que o ser humano vai se dar conta que Deus é um só, e que as religiões nada mais são do que instrumentos de ligação entre o homem e seu Criador? Que o Deus dos Judeus é o mesmo dos Católicos, dos Protestantes, dos Espíritas, dos Muçulmanos e de todas as religiões que existem?
 E quem somos nós para dizermos a alguém que esse alguém vai pro Inferno por não seguir tal religião ou que nosso Deus é melhor que o deus do outro? Cadê o respeito com as crenças? Como você se sentiria se alguém lhe dissesse que você vai pro Inferno se não seguir a religião x? Ou que o Deus dele é Inferior ao seu? 
E você? Já parou pra pensar se anda respeitando o mandamento de não julgar ao próximo?

Sobre a Importância da Arte

Ontem, dei uma passada no Museu de Arte do Rio Grande do Sul - MARGS - para conferir a 8ª Bienal de Arte do Mercosul. Teve muita coisa que (admito), não entendi, mas teve outras que me deixaram encantada. Dentre essas últimas, topei com quadros com holografias em 3D. Quando você as olhava de longe, pareciam quadros normais. Porém, ao olhá-las de frente, o que se via era a obra querendo sair da tela. Não foi somente o efeito dos quadros que me impressionou, mas também um dos  muitos significados filosóficos daquelas obras. A arte querendo sair do seu mundo e querendo entrar no nosso. É nessas horas que eu me pergunto: será loucura demais supor, nem que fosse só por um minuto, que a arte é viva? Que possui sentimentos e emoções, atrelados ou não a significados? Pense da seguinte forma: imagine que não é você quem está vendo a tela, mas sim a tela quem está vendo você. Vendo dia após dia aquele monte de gente que fica falando sobre você e - imagine só!- pode se locomover. Ou ainda, encarando tudo como um outro quadro dinâmico, no qual os objetos na tela nunca param.
Loucura? Não. É imaginação, mas que nos faz refletir. Certa vez, me indagaram o por quê de comparecer à bienal, e a qualquer outra mostra artística. Na hora, não soube o que responder. Hoje, eu diria que o importante é captar aquilo que a obra de transmite e internalizar esse sentimento, para depois expandi-lo sob a forma de um pensamento, uma reflexão, uma composição, qualquer coisa. O importante não é entender a arte, mas sim compreender o que ela desperta em você.

Inicialmente...

Logo de cara, me apresento. Meu nome é Lucile, tenho 19 anos, moro na cidade de Viamão, Rio Grande do Sul, Brasil, estudo Matemática na UFRGS, e, no momento, sou mais uma dentre os milhares de estudantes desse país que estão à beira da loucura de tanto estudar.
   Esse blog surgiu de um conselho da minha amiga Samanta Stein, quando de uma conversa na qual eu lhe disse que gostava de discorrer sobre assuntos do dia-a-dia, sem me prender a enredos ou a linhas de pensamento muito longas. Não é pra ser um diário, mas sim um pequeno folhetim de crônicas e reflexões. Sintam-se à vontade!